Monty Python Em Busca Do Calice Sagrado.-1975- ... 〈Edge〉
As limitações financeiras, no entanto, tornaram-se a alma do humor. O exemplo mais icônico é, sem dúvida, os cocos . Como filmar o Rei Artur (Graham Chapman) e seu fiel escudeiro Patsy (Terry Gilliam) cavalgando pela campina inglesa sem dinheiro para cavalos? Simples: não use cavalos. Use cocos. Terry Jones e Michael Palin tiveram a ideia de fazer Patsy caminhar atrás de Artur batendo duas metades de coco seco, simulando o trote de um equino.
Monty Python em Busca do Cálice Sagrado é, em suma, a mais perfeita definição de que, às vezes, a jornada é muito mais importante — e muito mais engraçada — do que o destino. E que, se um coelho branco ameaçar você, não hesite: entregue o Santo Graal imediatamente. Monty Python em Busca do Calice Sagrado.-1975- ...
O filme foi eleito muitas vezes como a melhor comédia britânica de todos os tempos, superando até clássicos como A Vida de Brian (também dos Pythons). Em 2000, os leitores da revista Total Film o elegeram o 14º maior filme de comédia da história. E em 2005, entrou para o National Film Registry do Reino Unido como "culturalmente significativo". O título original em inglês já brinca com a ambiguidade: Monty Python and the Holy Grail . Poderíamos passar horas discutindo o que o cálice representa — a busca eterna, a ilusão da perfeição —, mas os Pythons não querem isso. Eles querem que você ria enquanto o cavaleiro sem braços, sem pernas, apenas um torso no chão, grite "Corre, seu covarde!" no momento em que o rei Artur, montado em seu fiel Patsy com dois cocos, desaparece no horizonte. As limitações financeiras, no entanto, tornaram-se a alma
Além disso, a influência é gigantesca no desenvolvimento de jogos, séries e filmes. The Princess Bride , Shrek (com seu coelho assassino? Coincidência?), Family Guy e até o jogo World of Warcraft têm referências explícitas ao Coelho de Caerbannog e aos Cavaleiros Que Dizem "Ni". Em Busca do Cálice Sagrado prova que a criatividade floresce na adversidade financeira. Sem dinheiro, os Pythons criaram cenas que nenhum CGI jamais poderia superar: um cavaleiro lutando contra uma marionete de dragão tosca (a famosa "Dragon Animada por Terry Gilliam"), animações recortadas e cenários que se desmancham. Simples: não use cavalos
O orçamento inicial foi negado repetidas vezes. A solução? Uma campanha de arrecadação inusitada: artistas e empresários britânicos (incluindo membros do Pink Floyd, como Led Zeppelin e Genesis — sim, a lenda diz que eles ajudaram) investiram no projeto. No final, o filme custou cerca de (aproximadamente £2 milhões hoje), um valor irrisório para um "épico". Para efeito de comparação, um filme de Hollywood da época custava mais de 20 vezes isso.
Esse único e simples artifício estabelece o tom do filme em seus primeiros segundos. Não há tentativa de esconder a pobreza da produção; pelo contrário, ela é exibida com orgulho. Personagens aristocráticos galopam em cocos, enquanto soldados franceses (de um castelo de papelão) riem da "burrice inglesa". O filme quebra a quarta parede antes mesmo que o conceito fosse popularizado, criando uma metalinguagem que é, em si, a piada. A "história" é deliciosamente simples: Deus (uma imagem recortada do céu, claro) aparece para o Rei Artur e seus Cavaleiros da Távola Redonda, ordenando que eles encontrem o Santo Graal — o cálice usado por Cristo na Última Ceia.
